Orientações da Comissão de Residência Multiprofissional em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo na Lógica da Comunicação Efetiva nos Programas de Residência em Saúde

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Introdução: A realidade da prática em saúde pública nos impõe diversos desafios cotidianos que se misturam entre as tarefas classificadas importantes, urgentes, agendadas, planejadas, desejadas entre tantas outras. As autoridades mundiais já sinalizavam que o curso natural da vida estava sendo interrompido em decorrência do novo coronavírus.

Muitas foram as dúvidas e os questionamentos sobre a COVID-19 que pareciam beirar ao exagero e à histeria, até que em início de março de 2020  transformações no modo de viver chegaram como o arauto do apocalipse e trouxe consigo muitos sentimentos confusos. Estes produziram paralisia imediata ou levaram a descoberta de medidas e ações urgentes e necessárias a fim de garantir a vida e a continuidade das atividades chamadas essenciais, que inevitavelmente causaram estranhamento e ao mesmo tempo oportunidade de crescimento, amadurecimento e descobertas pessoais, como um catalisador do desenvolvimento humano.

A Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU) instância de caráter deliberativo, tem como uma de suas atribuições a coordenação, organização, articulação supervisão, avaliação e acompanhamento de todos os programas de residência em saúde nas modalidades multi e ou uni profissional.

As incertezas, o risco de contaminação e as obrigações de protocolos a serem seguidos somados aos fatores já instalados socialmente compartilhados, como geradores de sobrecarga e pressão exacerbada pela falta de orientação e comunicação clara e objetiva a todos os profissionais de saúde e em especial aos residentes.

Neste sentido, a COREMU SMS/SP obrigatoriamente construiu orientações, deliberou ações uma vez que não havia até aquele momento recomendações específicas relacionadas aos profissionais residentes e aos programas em que estavam matriculados.

A partir dessas considerações questionou-se: quais orientações técnicas poderiam ser propostas e realizadas pela COREMU SMS/SP nos cenários de prática frente a pandemia, de forma segura?

Objetivo: Apresentar orientações técnicas da Comissão de Residência Multiprofissional em Saúde SMS/SP frente ao Covid19 como estratégia de comunicação efetiva.

Método: Relato de experiência referente ao período de março de 2020 a julho de 2021.

Resultados: A Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS) não emitiu, até a presente data, nenhuma manifestação técnica especifica para as residências multiprofissionais sobre o manejo da gestão de residências a partir do contexto da doença em questão e da situação vivenciada no país.  A única publicação que contemplou as residências multiprofissionais e de área profissional em saúde referente ao tema foi realizada em Maio de 2020 por meio do documento intitulado “Recomendações quanto ao Desenvolvimento das Atividades dos Programas de Residência Multiprofissional e em Área profissional da Saúde durante o enfrentamento à pandemia por COVID-19” pela Coordenação Geral de Residências em Saúde.

Considerando que “Garantir comunicação de boa qualidade e atualizações precisas das informações pode ajudar a atenuar qualquer preocupação com a incerteza que os trabalhadores têm e ajuda a proporcionar uma sensação de controle”, a COREMU ao se manter atualizadas e ao proporcionar o alinhamento das informações e medidas/ readequações possíveis contribui também para o cuidado e manutenção das atividades propostas na medida do possível, considerando que esse é provavelmente um cenário único e sem precedentes para muitos trabalhadores.

As Orientações surgiram das necessidades anteriormente descritas com propósito em dirimir dúvidas de coordenadores de programas, preceptores, tutores e residentes, perfazendo um total de nove (9) números, no período de março a julho de 2021.  A construção destas orientações se fundamentou nas diretrizes já publicadas pelas instâncias federal, estadual e municipal que conduziram os processos assistenciais e destacaram as ações de cunho epidemiológico e de prevenção. Todas as instâncias superiores à COREMU SMS/SP tiveram acesso às orientações. Ademais, as orientações foram publicadas em Diário Oficial da Cidade de São Paulo cujos conteúdos baseavam-se nas ações preventivas, curativas, decisões pedagógicas, de gestão educacional e de ordem ético legal.

Conclusão: As orientações técnicas da COREMU estiveram centradas na condição de estabelecer e manter uma comunicação responsável, capaz de produzir a manutenção da calma, a responsabilidade nos compromissos assumidos, o rigor ao seguir protocolos de segurança, por meio da disponibilização de informações confiáveis, atualizadas e seguras. Nesse sentido depreende-se que as orientações foram diretrizes significativas na condução dos processos de formação em ensino em serviço que não pararam frente a crise sanitária instalada.

Na lógica de que a comunicação efetiva estrutura e perpassa todas as ações e propostas de aprimoramento profissional em diversos campos do saber, é que as orientações foram estruturantes para a manutenção da continuidade dos processos de formação, apoiando a construção, estabelecendo diretrizes de atividades e fluxos de dados que alimentam o gerenciamento dos programas e norteiam as readequações necessárias para o cumprimento de objetivos estabelecidos especifica e globalmente.

Assim, ao estabelecer canais de comunicação e divulgar diretrizes de forma indireta, se promove o cuidado e a potencial capacitação para situações críticas, de grande significado em que o silêncio não pode ser aceito como uma resposta de cuidado responsável.

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